1 de Dezembro de 1640 - Para nunca esquecer!!!
Sexta-feira, Dezembro 01, 2006
Porque hoje nenhum jornal traz na primeira página a referência à Restauração da Independência, porque a maioria dos portugueses não sabe qual é a importância do dia de hoje, porque a nossa nacionalidade e independência anda cada vez mais mal tratada aqui vai todo o meu destaque, tal como no ano passado, para a Restauração da Independência.

Aconselho ainda a um visita ao site da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

Antes do Período Filipino

Com a morte de D. Sebastião em 4 de Agosto de 1578 na batalha de Alcácer Quibir, Portugal fica num vazio em termos de sucessão ao trono.
Assim, o tio-avô de D. Sebastião, o Cardeal D. Henrique sobre ao trono com 66 anos. Sendo um eclesiástico, D. Henrique morre em 31 de Janeiro de 1580 durante as Cortes de Almeirim em que deixa uma Junta de cinco Governadores: o arcebispo de Lisboa D. Jorge de Almeida, D. João Telo, D. Francisco de Sá Meneses, D. Diogo Lopes de Sousa e D. João de Mascarenhas.
Após a morte de D. Henrique, iniciou-se uma luta pela sucessão do Reino.
Nesta situação, D. Filipe II de Espanha e Emanuel Filiberto, duque de Sabóia poderiam ainda usufruir do direito de representação que os colocaria numa posição privilegiada (em quarto grau de parentesco), já que poderiam representar as pessoas de suas mães. Porém, de nada lhes valeria invocar o direito de macho (ou masculinidade), pois as suas mães também não o poderiam.
Pelo contrário, D. Catarina, Duquesa de Bragança, invocando o mesmo direito de representação, seria rainha de jure, já que era filha do infante D. Duarte, filho de El-Rei D. Manuel I, que seria o sucessor indiscutível caso fosse vivo; pelo mesmo direito, representava as pessoas de duas irmãs e da sua filha.
Por fim, D. António, Prior do Crato, que não reconhecido como possível sucessor ao trono por não ser legítimo, iniciou uma luta armada para conseguir ascender ao trono.
Foi coroado como Rei em 24 de Julho de 1580 e reinou durante 1 mês até ser derrotado pelo Duque de Alba, na Batalha de Alcântara.
Assim nas Cortes de Tomar de 1581, D. Filipe II de Espanha, passou a ser I de Portugal.
Ficou deliberado nas Cortes de Tomar que D. Filipe iria reinar seguindo as seguintes promessas:

  1. Respeitar as liberdades, privilégios, usos e costumes da monarquia portuguesa;
  2. Reunir sempre Cortes em Portugal e manter todas as leis portuguesas;
  3. Os cargos de vice-rei ou governador de Portugal deveriam ser mantidos por portugueses ou membros da família real;
  4. Os cargos previstos para a Corte e administração geral do Reino seriam sempre preenchidos por portugueses;
  5. Os portugueses poderiam também ocupar funções públicas em Espanha;
  6. O comércio da Índia e da Guiné apenas poderia ser feito por portugueses;
  7. Não poderiam ser concedidos títulos de cidades e vilas senão a portugueses;
  8. A língua nos documentos e actos oficiais continuaria a ser o português;
  9. Todos os anos seriam criadas duzentas novas moradias (ordenados que eram entregues aos fidalgos a partir dos doze anos) e a Rainha deveria ter sempre como damas nobres portuguesas;
  10. O príncipe herdeiro, D. Diogo, seria mantido e educado em Portugal;
  11. As guarnições castelhanas seriam retiradas e conservar-se-iam as armas reais de Portugal na moeda corrente.

O Período Filipino

Os reinados de D. Filipe II de Espanha e I de Portugal, e de D. Filipe III de Espanha e II de Portugal decorreram sem problemas de maior. Os dois Reis sempre respeitaram o acordado nas Cortes de Tomar de 1581.
Com D. Filipe IV de Espanha e III de Portugal que começaram a surgir os revoltosos portugueses. Com o desrespeito do acordado nas Cortes de Tomar de 1581; com o desvio dos lucros económicos das colónias portuguesas para despesas de guerras que o Rei castelhano mantinha com França, Holanda, Inglaterra e Catalunha; a perda de algumas colónias para os Ingleses e Holandeses; o envio de portugueses para as frentes de batalha de guerras que não eram portuguesas, mas sim castelhanas, começou-se a gerar uma onda de revolta perante o monarca castelhano.
O tumulto do «Manuelinho» de Évora, em 1637, foi o verdadeiro prenúncio do movimento restaurador. A causa imediata dessas alterações em Évora fora o lançamento de novos impostos.
A partir daí iniciou a conspiração de 1640 liderada pelos fidalgos D. Antão de Almada, Dom Miguel de Almeida e pelo Dr. João Pinto Ribeiro, entre outros, no sentido de convencerem D. João II, Duque de Bragança a tornar-se, D. João IV, Rei de Portugal.
Nessa altura, Vila Viçosa, possuía uma riquíssima Corte Ducal, à altura de muitas Cortes Reais na Europa, e D. João IV, mostrava-se bastante receoso em abandonar o luxo do seu Paço de Vila Viçosa para se aventurar numa Revolução que poderia correr mal. Posteriormente à Revolta do Manuelinho, em Vila Viçosa os Calipolenses começaram a aclamar D. João IV como Rei de Portugal e insurgindo-se contra a ocupação espanhola.
Após muita insistência e argumentação da parte do Dr. João Pinto Ribeiro, D. João IV, aceita o trono de Portugal.

A Revolução e a Guerra da Restauração da Independência

Com o sim de D. João IV, começou-se imediatamente a planear o dia da Revolução. Seria o dia 1 de Dezembro de 1640, um sábado. De manha cedo, a maioria dos fidalgos acorreram ao Terreiro do Paço e mataram o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos e aprisionaram a Duquesa de Mântua, que governava então Portugal em nome de seu primo, D. Filipe IV de Espanha. Outros fidalgos conseguiram conquistar o Castelo de S. Jorge e os fortes que guardavam Lisboa e o Tejo.
Rapidamente a noticia se espalha pelo Reino, saindo D. João IV de Vila Viçosa em direcção a Lisboa para ser coroado a 15 de Dezembro de 1640. Desde logo que D. João IV tratou de começar a organizar o reino, que economicamente e militarmente estava totalmente arruinado. Começa por reorganizar os Castelos do Alentejo, da Beira e de Trás-os-Montes, assim como o Castelo de Setúbal. Consegue também valiosas alianças com a Catalunha, a França, a Inglaterra, Holanda, Roma e os países nórdicos.
Depois de pequenas escaramuças ao longo de 4 anos ao longo da fronteira, em 1644 dá-se a Batalha do Montijo, tendo os portugueses vencido, causando enormes manifestações de alegria em Lisboa e espanto por toda a Europa pela humilhação sofrida por Madrid. Em 1659 dá-se a Batalha das Linhas de Elvas. Em 1658 um exército espanhol, comandado por D. Luís de Haro, acampava na fronteira do Caia, com 14 000 homens de infantaria, 5 000 de cavalaria, artilharia, munições, etc. Alguns dias decorreram em preparativos dos castelhanos para o cerco de Elvas, e nas diligências dos portugueses para defenderem a cidade. D. Luís de Haro distribuiu as suas tropas ao longo de entrincheiramentos, dando ordens para que fosse exercida apertada vigilância a fim de impedir que Elvas recebesse mantimentos ou qualquer outra espécie de auxílio vindo do exterior, de tal modo que só a chegada de um verdadeiro exército poderia evitar mais cedo ou mais tarde, a capitulação da praça. A rainha D. Luísa resolveu chamar D. António Luís de Meneses, Conde de Cantanhede, para lhe entregar o comando geral das tropas portuguesas no Alentejo, e transferir para o mesmo teatro de operações D. Sancho Manuel, que foi assumir as funções de mestre-de-campo general. Os espanhóis instalados nas duas colinas mais próximas começaram a bombardear a cidade de Elvas, causando pânico e grandes baixas na população. Mas o maior perigo era a peste que causava cerca de 300 mortes por dia.
Mediante tal situação, o Conde de Cantanhede, D. António Luís de Meneses reuniu em Estremoz um exército de socorro. Apesar de grandes dificuldades, que o obrigaram a organizar recrutamentos em Viseu e na ilha da Madeira, e reunir as guarnições de Borba, Juromenha, Campo Maior, Vila Viçosa, Monforte e Arronches, o conde de Cantanhede conseguiu formar um exército de oito mil infantes, dois mil e novecentos cavaleiros e sete canhões. Tendo ficado acordado, entre o conde de Cantanhede e D. Sancho Manuel, que o ataque às linhas de Elvas se faria pelo sítio conhecido por Murtais, o exército português saiu de Estremoz e marchou sobre a praça cercada. Os portugueses ocuparam as colinas da Assomada, de onde se avistava a cidade de Elvas e as linhas inimigas, estas num majestoso arraial. No dia 14 de Janeiro, cerca das oito horas da manhã, os portugueses desencadearam o ataque, como estava previsto pelo sítio dos Murtais. Manteve-se a vitória indecisa durante algum tempo, pois ao ataque correspondia uma vigorosa defesa do lado espanhol, mas a certa altura as tropas do conde de Cantanhede conseguiram romper irresistivelmente as linhas dos castelhanos, que começaram por ceder terreno e não tardaram a debandar.
Em 1663 dá-se a Batalha do Ameixial após Évora ter caído às mãos dos espanhóis, e em 1664 a Batalha de Castelo Rodrigo.
A batalha decisiva foi em 1665 com a Batalha de Montes Claros. O Marquês de Caracena havia planeado nada menos do que ocupar Lisboa, tomando em primeiro lugar Vila Viçosa e a seguir a cidade de Setúbal. Então pôs em movimento o seu exército, que se compunha de quinze mil infantes, sete mil e seiscentos cavaleiros e as guarnições de catorze canhões e dois morteiros. Tendo ocupado Borba que encontraram despovoada, os espanhóis atacaram Vila Viçosa que embora mal fortificada, ofereceu aos ataques do inimigo uma resistência inquebrantável.
Entretanto, o exército português avançava para socorrer a praça, mas foi resolvido pelos comandos que as tropas se detivessem em Montes Claros, a aproximadamente meio caminho entre Vila Viçosa e Estremoz. O general espanhol ao saber da proximidade do exército português, deu ordens imediatas para que as forças de que dispunha marchassem ao encontro do adversário. Carregando em massa, a cavalaria espanhola abriu brechas nos terços de infantaria da primeira linha, mas foi recebida com uma chuva de metralha disparada pela artilharia comandada por D. Luís de Meneses. Os esquadrões de Castela, obrigados a recuar refizeram-se e lançaram segunda carga sobre o terço de Francisco da Silva Moura, causando a morte deste e de mais trinta soldados portugueses. O Marquês de Marialva não estava disposto a ceder terreno ou a perder o ânimo.
Sob as suas ordens, as brechas abertas pela cavalaria espanhola foram colmatadas, enquanto a artilharia não cessava de fazer fogo sobre os castelhanos. Uma segunda carga igualmente impetuosa, conseguiu no entanto levar os cavaleiros espanhóis até ao mesmo ponto onde fora detida a primeira, mas as perdas sofridas foram de tal ordem que tiveram de deter-se também, sem que a segunda linha portuguesa comandada pessoalmente pelo Marquês de Marialva, tivesse sequer sido molestada. O Conde de Schomberg esteve prestes a cair nos domínios dos espanhóis, quando um tiro abateu o cavalo que ele montava. O espanhóis que pareciam ter contado com a fúria dos primeiros ataques em massa, executados em especial pela cavalaria, viram-se em situação de perigo. Deram ainda uma terceira carga, mas o ímpeto inicial tinha-se perdido e o desânimo apoderava-se deles. Ao cabo de sete horas de luta, os atacantes começaram a debandar, e o próprio general Caracena, reconhecendo que a batalha estava perdida, fugiu para Juromenha, de onde seguiu depois a caminho de Badajoz.
Esta foi a batalha decisiva para a vitória portuguesa na Guerra da Restauração. Entretanto, D. João IV conseguiu também importantes conquistas nas colónias como Brasil, como também de Angola e de São Tomé e Príncipe.
Em 1646, D. João IV, corou Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Rainha e Padroeira de Portugal. A partir desse momento, mais nenhum Rei usou a coroa na cabeça
Por fim, a 13 de Fevereiro de 1668, em Lisboa, D. Afonso VI e D. Carlos II assinaram o tratado de paz que pôs fim à Guerra da Restauração. Portugal acabou por ceder Ceuta a Espanha.


posted by O Restaurador at 12:02 PM | Permalink |


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